a vida sem esqueleto
quando o fluxo de memória engole o planejamento.
Se você prefere ler o texto, vai em frente. Se prefere escutar, é só dar play aqui na sequência, leva 5:49. E não é voz automática, fui eu que gravei e editei :) Em janeiro, eu começo a publicar onde eu tava quando aquilo aconteceu, uma coleção de histórias pessoais. Até lá, vou te contando o passo a passo da produção, em duas newsletters por semana (quartas e sábados).
Oi, eu sou o Rodrigo.
Eu ia começar contando uma coisa, aí eu achei que podia parecer uma carteirada, o que definitivamente não é o caso, mas depois eu pensei: ah, se parecer, paciência. É só uma constatação. O que eu ia contar é que, nos últimos sete anos, eu tranquilamente escrevi mais de duzentos roteiros de podcasts narrativos.
Eu até cogitei fazer essa conta certinha, porque dá pra fazer, mas aí de fato ia ficar parecendo uma carteirada. E sendo muito sincero, também me deu um pouco de preguiça. São mais de duzentos roteiros, isso dá pra cravar.
E todos eles têm uma coisa em comum:
Eles começaram com um esqueleto.
É sobre isso que eu quero falar aqui.
Esqueleto de roteiro é um ponto de partida, tipo um resumo, é como aquela história vai começar, se desenvolver e terminar. E depois a escrita vai preenchendo cada parte do esqueleto. Pode ser uma listinha feita a lápis num caderno, pode ser uma sequência de tópicos no celular, pode ser um mapa num desses sites de organização de ideias, pode ser um quadro na parede cheio de adesivo post-it.
Isso serve basicamente pra eu saber o que eu tô fazendo. Pra eu não sair escrevendo o roteiro e, quando chegar lá na página 25, eu soltar um “ihhhh esqueci aquela parte”, ou um “que saco tô me repetindo”, ou um “droga esse troço tá sem ritmo”.
Pois bem. Eis que, depois de duzentos roteiros, eu cheguei no onde eu tava quando aquilo aconteceu. Que também vai ser um podcast. Em janeiro, quando eu começar a publicar a coleção de histórias pessoais, você vai poder ler ou escutar. E a versão em áudio é roteirizada. Na verdade a versão em texto já é o roteiro. É a mesma história, construída do mesmo jeito, com a missão de funcionar tanto escrita quanto falada.
No dia em que eu escrevo esse texto de bastidor aqui (hoje é 11 de novembro de 2025, faltando quase dois meses pro lançamento), eu tenho hoje quatro histórias escritas. São quatro roteiros prontos.
Só que, pela primeira vez desde que eu comecei a trabalhar com isso lá em 2018, eu não tô fazendo o esqueleto.
Pela primeira vez, eu deixei o fluxo da memória engolir o método, a organização, o planejamento.
Eu vou escrevendo.
E vou falando em voz alta o que eu tô escrevendo.
E vou pulando de uma coisa pra outra.
E as gavetas da memória vão se abrindo.
O que eu achei mais engraçado até agora é que, desses quatro roteiros, os três primeiros ficaram exatamente com o mesmo tamanho: 16 páginas e meia. E foi total coincidência.
Pra falar a verdade, não é só o fluxo de memória. Na maior parte do tempo até é. Mas em alguns momentos também é tipo uma arqueologia dentro da minha própria cabeça, sabe?
Como são histórias pessoais, e muitas delas já aconteceram faz tempo, a memória falha, né? A minha, pelo menos, falha muito. Como é que eu vou lembrar em detalhes um cenário, um diálogo, um horário? Fica tudo meio borrado.
Aí às vezes eu quebro o fluxo da escrita e vou pesquisar.
Até agora minhas duas principais fontes de pesquisa têm sido:
Meu HD externo. Que aliás são dois. Cheios de fotos, vídeos, documentos, que eu fui acumulando desde que inventaram HD externo. Tem bastante coisa ali de trabalho, de família, de amigos, de relacionamentos, de viagens. Tudo mais ou menos organizado em pastinhas. Então quando bate uma dúvida, eu vou lá fuçar no HD. Aliás, um detalhe: sempre que eu pego o HD no armário, dá um medinho de deixar cair no chão, porque assim, se cair no chão, já era, né? É basicamente o fim da minha memória. E sim, eu troco pra outros HDs de tempos em tempos, mas eu nunca salvei nada na nuvem. Tá tudo ali na mídia física. Eu sei que devia salvar na nuvem. Mas, né? Enfim.
E a outra fonte arqueológica que tem sido muito útil são as conversas online arquivadas. Seja no whatsapp ou, principalmente, no messenger do Facebook. Eu já achei conversas ali que eu não tinha nenhuma lembrança. É como se eu visse um filme com cenas inéditas que eu mesmo vivi e não lembro mais. E isso porque o Orkut sumiu. Se eu tivesse acesso ao meu Orkut, esse projeto seria muito melhor, não tenho nenhuma dúvida.
Nessa arqueologia eu aprendi uma coisa. Se você parar pra pensar na sua vida até hoje, talvez você ache que a sua vida não daria um filme. Ou um podcast. Ou uma newsletter. Mas faz essa experiência aí, rapidinho. Tira uma meia horinha pra escavar o teu whatsapp ou o teu Facebook nas mensagens antigas. Vai jogando umas palavras na busca, uns contatos, vai rolando a pesquisa pro passado.
E, bom, se acontecer contigo o que aconteceu comigo, ou seja, se você achar boas histórias nesses escombros online, me conta.
Porque a partir de janeiro, eu não quero publicar só as minhas histórias pessoais, quero publicar as suas também, se você quiser. Como eu vou fazer isso? Ainda não sei. Talvez em episódios bônus com as histórias dos leitores/ouvintes, talvez num catálogo separado por temas, talvez com você mesmo falando, talvez eu falando o que você me contar. Sei lá. Vamos ver.
Enquanto isso, eu preciso acumular mais histórias pra começar a soltar em janeiro. Por enquanto só tenho quatro. Até lá, acho que eu ainda vou tirar muita poeira dos HDs e das mensagens.
É assim que a memória corre livre.
Sem esqueleto.


PeloamordeDeus salve esse negócio na nuvem….hahahahaha….eu tenho um trauma grande disso ….Na minha formatura tirei mais de 200 fotos entre o evento e a festa depois do evento….chegando em casa descarreguei o cartão da máquina no meu antigo pc (sim…na época do boom das máquinas digitais...) e no outro dia o hd queimou (o pc todo continuou a funcionar ainda por anos….mas queimou exatamente o HD)….e só tenho os registros desse dia na memória….eu tenho um trauma tão grande dessa ocasião que nem ideias que eu tenho pra post eu deixo de bobeira…minha vida toda é na nuvem….quando eu vejo alguem me dizer que usa pendrive ou hd externo já me arrepio todo….hahahahahahahaha
Agora todo mundo deu zoom kkkkkkk